Dois dias antes de disputar sua prova favorita, brasileiro dá show no Foro Itálico e garante ao país a primeira vitória em Mundiais desde 1982
César Cielo tem pressa. Para alguém tão acostumado à velocidade, a final dos 50m livre no sábado ainda parece um futuro distante. E se a prova favorita demorava a chegar, Cielo resolveu descontar a pressa nos 100m. Azar dos concorrentes. Em 46s91, o brasileiro foi e voltou na piscina do Foro Itálico para bater o recorde mundial da prova e garantir o primeiro ouro do país no Mundial de Esportes Aquáticos, em Roma.
Com o peito vermelho, Cielo vibra: quase um ano após Pequim, o brasileiro brilha de novo
Na cerimônia de premiação, Cielo subiu no palanque branco com um largo sorriso no rosto. Abraçou os franceses Alain Bernard e Frederick Bousquet, que completavam o pódio, e recebeu sua histórica medalha de ouro. Cantou o Hino Nacional até a metade, e a partir dali se dedicou à missão de segurar o choro. Foi por pouco tempo. Quando a primeira lágrima caiu, as arquibancadas explodiram em aplausos para o maior nadador brasileiro de todos os tempos.
Valeu a pena. Deu certo de novo. Agora é comemorar com a maior alegria que eu poderia ter
Lá se iam 27 anos desde que o país conquistou seu último – e até então único – ouro em Mundiais. Foi com Ricardo Prado, em 1982, no Equador. Aos 17 anos, ele nadou os 400m medley em 4m19s78 e bateu o recorde mundial.
Cielo, no entanto, é o primeiro brasileiro a ser campeão mundial e olímpico.
Até Phels se rende ao brasileiro
Logo após a prova, o americano Michael Phelps, que abriu mão da disputa, dava entrevista a uma rede de TV dos Estados Unidos. Questionado sobre a decisão de não nadar os 100m livre, ele afirmou.
Acabei de ver o César Cielo nadar e tive uma certeza: eu não ganharia esta prova de jeito nenhum.
A esta altura, nem o fenômeno da natação mundial tem dúvidas sobre quem é o melhor do planeta em provas rápidas
Lydia Gismondi
Direto de Roma
Fonte - Globo.com